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Fator de potência: por que sua empresa paga mais pela energia?

Você já percebeu a conta de energia aumentar mesmo sem mudanças significativas na operação? 

O fator de potência (FP) é um dos indicadores que ajudam a explicar esse cenário, pois revela o nível de aproveitamento da energia consumida pela instalação elétrica. 

Quando esse índice fica abaixo do recomendado, parte da eletricidade circula sem gerar trabalho útil, o que pode resultar em desperdícios e cobranças adicionais na fatura.

A atenção a esse tema cresce na mesma proporção do consumo energético das empresas. Segundo o Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2026 da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a indústria brasileira consumiu mais de 199 GWh em 2025, um aumento de 0,7% em relação ao ano anterior. 

Em operações que movimentam grandes volumes energéticos, pequenas ineficiências tendem a gerar impactos financeiros relevantes

Por isso, é fundamental entender:

  • Como o FP funciona.
  • Como a energia reativa interfere nesse indicador.
  • Quais medidas corrigem desvios.

Continue lendo e aprenda!

Confira também: Entenda o que é PLD na energia elétrica e como ele afeta o mercado

Fator de potência: o que é e por que impacta a conta de energia?

O fator de potência indica quanto da energia consumida por uma instalação elétrica é convertida em trabalho útil. 

Em sistemas de corrente alternada, ele mostra a relação entre a potência ativa e a potência reativa. Quanto mais próximo de 1 esse índice estiver, maior é o aproveitamento energético.

Acompanhar esse indicador permite identificar desperdícios e avaliar se a energia consumida está sendo aproveitada conforme o esperado.

O que é energia reativa e como ela afeta sua empresa?

A energia reativa é a parcela da energia elétrica responsável por manter campos magnéticos em funcionamento. Ela é necessária para a operação de equipamentos como motores, transformadores e reatores.

Ela se divide em dois tipos:

  • Indutiva: ocorre quando a instalação retira energia da rede para manter campos magnéticos em funcionamento.
  • Capacitiva: ocorre quando a instalação devolve energia reativa para a rede elétrica.

Para entender sua relação com o FP, é importante conhecer os conceitos apresentados no infográfico abaixo:

 

Quando há energia reativa em excesso, os impactos esperados são:

  • Maior circulação de corrente.
  • Sobrecarga de equipamentos.
  • Queda do FP.
  • Cobranças adicionais na fatura.

Segundo Mauro Nascimento Costa, diretor da OMS Engenharia, essas cobranças muitas vezes passam despercebidas pelas empresas, já que “a multa por baixo fator de potência não vem discriminada de forma clara na fatura e 90% das empresas pagam esse encargo sem saber”.

Como essa relação elétrica é calculada?

Para calcular o fator de potência, basta dividir a potência ativa pela potência aparente. 

A fórmula utilizada é:

FP = potência ativa ÷ potência aparente

Imagine uma empresa com 500 kW de potência ativa e 600 kVA de potência aparente. Nesse caso, o cálculo fica da seguinte forma:

FP = 500 ÷ 600 = 0,83

Como esse valor está abaixo de 0,92, limite mínimo definido pela ANEEL, a unidade consumidora fica sujeita à cobrança de energia reativa excedente.

Acompanhe também: Entenda como calcular consumo de energia e identificar gastos ocultos

Principais causas de um fator de potência baixo

Em um contexto de crescimento do consumo de energia no setor industrial brasileiro, entender a origem dessas perdas se torna cada vez mais importante para evitar desperdícios e gastos adicionais na operação.

Situações que diminuem o FP:

  • Motores operando em vazio.
  • Motores com baixa carga.
  • Uso excessivo de transformadores e reatores.
  • Equipamentos antigos.
  • Falta de manutenção.
  • Desequilíbrio entre fases.
  • Excesso de cargas indutivas.

Como corrigir o fator de potência na sua empresa

A correção do FP passa pela instalação de bancos de capacitores em pontos estratégicos da instalação elétrica. Existem diferentes formas de realizar essa adequação. A seguir, conheça as principais! 

Correção no lado da alta tensão

Nesse modelo, os capacitores ficam instalados no lado da alta tensão. A medida corrige o FP observado pela concessionária, mas costuma envolver custos altos.

Entre os pontos de atenção estão:

  • Manutenção mais complexa.
  • Aumento da tensão na rede da concessionária.
  • Necessidade de maiores investimentos em cabos e equipamentos.

Além disso, a instalação não reduz as correntes reativas que circulam em transformadores e condutores internos.

Correção no lado da baixa tensão

A instalação dos capacitores ocorre no sistema geral de baixa tensão, normalmente com bancos automáticos.

Essa alternativa atende empresas com grande quantidade de cargas e perfis de consumo variados. 

O sistema acompanha as mudanças na demanda e ajusta a compensação conforme a necessidade. 

Em contrapartida, os circuitos individuais dos equipamentos continuam sujeitos à circulação de corrente reativa.

Correção por grupo de cargas

Nesse caso, um capacitor atende a um setor específico ou a um conjunto de máquinas de menor porte.

A instalação acontece junto ao quadro de distribuição que alimenta esses equipamentos. 

O método reduz a necessidade de correções individuais, mas não diminui a corrente nos circuitos de alimentação de cada máquina.

Correção individual por carga

A correção individual instala os capacitores próximos ao aparelho que gera a demanda de energia reativa.

Do ponto de vista técnico, essa é a solução mais completa para muitas aplicações, pois oferece:

  • Menos perdas elétricas.
  • Menor carregamento dos circuitos.
  • Integração com o acionamento.
  • Geração local de potência reativa.

Correção mista

A correção mista combina diferentes métodos dentro da mesma instalação. Geralmente, essa configuração apresenta o melhor equilíbrio entre investimento, desempenho e conservação de energia.

Via de regra, o procedimento segue esta estrutura:

  • Banco fixo no transformador: realiza a correção geral da instalação.
  • Motores acima de 10 cv: recebem correção individual.
  • Motores abaixo de 10 cv: são agrupados para correção por setor.
  • Circuitos de iluminação com reatores de baixo FP: recebem compensação na entrada da rede.
  • Banco automático complementar: realiza o ajuste final das variações de carga.

Essa combinação distribui a compensação de forma adequada ao perfil de consumo e minimiza desperdícios em diferentes pontos da instalação elétrica.

Reduza custos com soluções inteligentes

O fator de potência é apenas um dos elementos que influenciam os gastos com energia. 

Empresas com consumo elevado também encontram oportunidades de economia ao armazenar energia com a solução BESS da Matrix e utilizá-la nos horários mais estratégicos da operação.

O interesse por essa tecnologia tem crescido em todo o mundo: em 2025, foram adicionados 108 GW de capacidade de armazenamento em baterias, um avanço de 40% em relação a 2024, segundo a IEA.

O resultado é uma operação com mais estabilidade, previsibilidade financeira e menor impacto das variações da rede elétrica.

Assista à reportagem da CNN Brasil sobre o BESS e descubra como a Matrix Energia transforma essa tecnologia em resultados:

Quer entender se o BESS da Matrix faz sentido para a sua operação? Conheça a solução da Matrix e veja como ela pode contribuir para a sua gestão energética!

Dúvidas frequentes (FAQ)

Confira as principais dúvidas sobre o tema.

O que é fator de potência e como calcular?

O FP mede o aproveitamento da energia elétrica em uma instalação. Seu cálculo é feito dividindo a potência ativa (kW) pela potência aparente (kVA).

Como calcular o FP?

A fórmula do fator de potência é: FP = potência ativa ÷ potência aparente. Por exemplo: uma instalação com 500 kW e 600 kVA apresenta FP de 0,83.

Qual o fator de potência ideal?

Valores próximos de 1 indicam um melhor aproveitamento da energia. Para unidades consumidoras atendidas pela rede elétrica, a ANEEL estabelece 0,92 como valor mínimo de referência.

Publicado por em 18 de June de 2026