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Tarifa horo sazonal (THS): entenda como funciona e modalidades

A tarifa horo sazonal está fazendo sua conta subir mesmo sem aumento na produção? Sua operação já reduziu o consumo, mas o custo continua pressionando o caixa? Esse cenário não é isolado. 

Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a indústria vem registrando queda no uso de energia por meses seguidos, atingindo a maioria dos setores, com destaque para metalurgia e químicos. Ainda assim, o valor pago segue instável. 

Regras definidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica mostram que o problema não está só no quanto se consome, mas no horário e na forma de uso. Se consumir menos não resolve, entender a lógica da cobrança vira prioridade.

Ao longo do conteúdo, você vai entender como a tarifa horo sazonal funciona, quais impactos ela gera na rotina industrial e como cada modalidade interfere na fatura. 

O problema é quanto você consome ou quando você consome? Entenda a diferença!

Saiba mais: Quais serviços uma comercializadora de energia oferece para empresas

O que é a tarifa horo sazonal (THS)?

A tarifa horo sazonal (THS) é um modelo de cobrança de energia elétrica que varia conforme o horário de consumo e a época do ano. 

Ela se aplica a consumidores do grupo A, atendidos em média ou alta tensão, como indústrias, grandes comércios e condomínios de maior porte. 

Impactos da THS no consumo de energia das empresas

A THS impacta o custo da energia ao variar preços por horário e período do ano. Consumir no horário de ponta encarece a conta, enquanto fora dele reduz gastos.

Esse cenário ajuda a entender por que a redução no consumo não tem sido acompanhada pela queda nos custos. Dados recentes do setor já indicavam esse descompasso entre uso e valor pago. 

Imagine um hipermercado que consome 1.000 kWh por dia. Se 400 kWh são utilizados no horário de ponta, com tarifa de R$ 1,20/kWh, e os outros 600 kWh fora de ponta, a R$ 0,60/kWh, o custo diário seria:

  • Ponta: 400 × 1,20 = R$ 480
  • Fora de ponta: 600 × 0,60 = R$ 360
  • Total: R$ 840 por dia

Se essa empresa consegue transferir 200 kWh do horário de ponta para fora de ponta, o novo cálculo seria:

  • Ponta: 200 × 1,20 = R$ 240
  • Fora de ponta: 800 × 0,60 = R$ 480
  • Total: R$ 720 por dia

Nesse cenário, a economia diária seria de R$ 120, apenas com ajuste no horário de consumo.

Leia também: Eficiência energética nas empresas e seus impactos

Modalidades da tarifa horo sazonal

A tarifa horo sazonal se divide em duas modalidades: verde e azul.

Verde

Na tarifa horo sazonal verde, o consumo de energia tem preços distintos conforme o horário. Já a demanda de potência segue uma única tarifa, sem variação entre ponta e fora de ponta.

Fórmula:

  • Custo do consumo = (kWh fora de ponta × tarifa fora de ponta) + (kWh na ponta × tarifa na ponta)
  • Custo da demanda = demanda contratada (kW) × tarifa única de demanda
  • Total da fatura = consumo + demanda

Exemplo:

Uma indústria alimentícia consumiu 10.000 kWh fora de ponta e 2.000 kWh na ponta. A demanda contratada é de 100 kW.

  • Fora de ponta: 10.000 × R$ 0,50 = R$ 5.000
  • Ponta: 2.000 × R$ 1,20 = R$ 2.400
  • Demanda: 100 × R$ 30 = R$ 3.000
  • Total = R$ 10.400

Azul

Na tarifa horo sazonal azul, tanto o consumo quanto a demanda mudam de preço conforme o horário. Existem valores diferentes para ponta e fora de ponta em ambos os componentes.

Fórmula:

  • Custo do consumo = (kWh fora de ponta × tarifa fora de ponta) + (kWh na ponta × tarifa na ponta)
  • Custo da demanda = (demanda fora de ponta × tarifa fora de ponta) + (demanda na ponta × tarifa na ponta)
  • Total da fatura = consumo + demanda

Exemplo:

Consumo igual ao exemplo anterior, mas com demandas separadas: 80 kW fora de ponta e 100 kW na ponta.

  • Fora de ponta: 10.000 × R$ 0,50 = R$ 5.000
  • Ponta: 2.000 × R$ 1,20 = R$ 2.400
  • Demanda fora de ponta: 80 × R$ 20 = R$ 1.600
  • Demanda na ponta: 100 × R$ 50 = R$ 5.000
  • Total = R$ 14.000

Portanto, a THS azul tende a penalizar picos de demanda na ponta. Já a verde concentra o impacto no consumo por horário.

Diferença entre tarifa convencional e tarifa horo sazonal

Esses dois modelos alteram a forma como a conta de energia é calculada. Cada um segue regras próprias e atende a perfis de consumo diferentes. 

Principais diferenças:

  • Preço do kWh: convencional tem valor único; horo-sazonal varia por horário.
  • Sazonalidade: convencional não muda ao longo do ano; horo-sazonal tem valores maiores no período seco.
  • Público: convencional atende, em geral, o Grupo B (baixa tensão); horo-sazonal é aplicada ao Grupo A (média e alta tensão).
  • Demanda: convencional não separa demanda; horo-sazonal inclui cobrança de demanda (com regras distintas nas modalidades).
  • Modalidades: convencional não tem subdivisões; horo-sazonal inclui azul e verde.

Como otimizar custos com a tarifação horo-sazonal nas empresas?

Antes de revisar contratos ou mudar a operação, vale entender onde estão os principais pontos de ajuste dentro da tarifação horo-sazonal. 

Ajustar o consumo fora do horário de ponta

Realocar atividades intensivas para fora do pico diminui o valor pago por kWh. Máquinas pesadas, sistemas de refrigeração e recargas podem operar em faixas com tarifa menor, sem afetar o volume produzido.

Revisar a demanda contratada

O histórico de consumo indica o nível adequado de contratação. Valores acima geram pagamento por capacidade ociosa. Valores abaixo resultam em cobrança por ultrapassagem.

Atualizar equipamentos e iluminação

Equipamentos antigos elevam o consumo. A troca por modelos econômicos, o uso de LED e sensores de presença diminuem o gasto mensal.

Regular a sazonalização da energia

A contratação pode acompanhar o ritmo da produção ao longo do ano. Modelos como flat, proporcional ao histórico ou personalizado evitam sobra ou falta de energia contratada.

Considerar o impacto do período seco

Entre maio e novembro, as tarifas tendem a subir. Antecipar esse cenário permite reorganizar consumo e contratos.

Monitorar consumo e criar indicadores

A leitura detalhada da fatura mostra horários de maior uso. Indicadores como custo por unidade produzida mantêm o controle e facilitam ajustes contínuos.

Avaliar alternativas estruturais

Opções como Mercado Livre de Energia ampliam o controle sobre custos e entram como próximos passos na estratégia.

Leia também: Fator de demanda: o que é, como calcular e como reduzir custo

Tarifa horo sazonal e o Mercado Livre de Energia: o que muda com a migração?

A tarifa horo sazonal deixa de existir quando a empresa migra para o Mercado Livre de Energia. 

No lugar de preços definidos pela distribuidora e sujeitos a horários e sazonalidade, entram contratos negociados, com valores, prazos e condições ajustados ao perfil de consumo. 

A fatura deixa de ser um bloco único e passa a mostrar dois componentes: o uso da rede (TUSD), pago à distribuidora, e a energia contratada (TE), negociada no mercado. 

A entrada no Mercado Livre de Energia é chamada de “migração” porque representa a passagem do consumidor do Mercado Cativo (ACR – Ambiente de Contratação Regulada) para o Ambiente de Contratação Livre (ACL). 

Esse processo leva, em média, de 6 a 12 meses.

 

Descubra se o Mercado Livre de Energia faz sentido para o seu negócio!

Conclusão

A tarifa horo sazonal exige leitura atenta do relógio, não só do medidor. Horários de ponta, variações sazonais e regras de demanda mudam o peso de cada kWh na fatura. 

As modalidades verde e azul reforçam essa lógica com estruturas diferentes de cobrança. A escolha entre elas, somada à comparação com a tarifa convencional, depende do perfil de uso, da estabilidade da operação e da capacidade de gestão energética. 

Agora, se você quer fugir de cobranças instáveis na sua fatura de energia, conheça as soluções da Matrix

Conduzimos toda a jornada de migração para o ACL, assumindo etapas operacionais e regulatórias que costumam travar o processo internamente. 

Aproveite também para entender o que sua empresa ganha ao certificar a origem da energia. Saiba mais sobre os I-RECs!

Dúvidas frequentes

Confira respostas objetivas para as principais perguntas sobre o assunto!

Quando revisar a modalidade tarifária?

Sempre que houver mudança no perfil de consumo ou na demanda contratada. Também vale revisar após analisar a fatura e identificar picos frequentes no horário de ponta. 

A tarifa horo sazonal deixa de existir no Mercado Livre de Energia?

Sim. No Mercado Livre, a cobrança deixa de seguir a lógica horo-sazonal da distribuidora.
A energia passa a ser negociada por contrato, com condições definidas conforme o perfil da empresa. Ainda existe custo de uso da rede, mas separado da energia contratada.

Publicado por em 06 de May de 2026